6, 8 ou 10 anos pra sempre.

O sábado era de um dia cinzento. Perfeito se visto do estacionamento onde ele estava: sem prédios em volta; vista livre pro céu. Ele no banco do carona, o pai na direção. De repente começou a apreciar tudo aquilo que compunha a imagem: a fila enorme pra sair do estacionamento (a cancela tinha estragado), o guarda recolhendo os tickets, tráfego na rua que estava a frente, fora do estacionamento. Era um estacionamento de supermercado. Aquele clima era todo de infância: daqueles sábados que não tinham fim. Era muito triste, mas era muito bonito. Ele, habilidosamente, sabia como curtir o sabor daquele dia, tentava sentir-se como quando era pequeno, tentando desesperadamente resgatar emoções daquele tempo bom. Duns tempos pra cá vinha procurando demasiadamente referências da infância, algo em que pudesse se agarrar, fugir do futuro. Fugir do presente. Estava com 20 anos, completados esse ano. A imagem que tinha de si mesmo era um quadro com ele de costas em primeiro plano e um enorme descampado a sua frente. Talvez esperando nascer alguma árvore. Ou talvez uma cena de algo que andava passando na cabeça dele durante esses dias. Algo que martelava, mas que também era muito incerto pra se arriscar. Foda-se, ele tem que tentar.

Eu sinceramente não sei.

Fugir do futuro? Se esconder do futuro? Fugir do presente? No momento ele tenta se esconder do presente e tenta adiar o futuro. Pra que isso? Ele só não queria ter que escolher, ele só queria continuar tendo 6, 8 ou 10 anos pra sempre.

era talvez um sábado 19/07/08

~ por Cris em Julho 26, 2008.

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